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Exploração espacial é o conjunto de esforços do homem em estudar o espaço e seus astros do ponto de vista científico e da sua exploração econômica, fazendo o uso de naves espaciais, satélites artificiais ou sondas espaciais, e muitas vezes fazendo uso de humanos em suas missões: os astronautas, como são chamados nos Estados Unidos, cosmonautas como são chamados na Rússia e taikonautas como são chamados na China.

A ciência tecnológica relacionada com eles é chamada de astronáutica.

O céu sempre atraiu a atenção e os sonhos do homem. Há duzentos anos, em uma famosa obra de ficção intitulada "De la Terre à la Lune" (1865), Júlio Verne escreve sobre um grupo de homens que viajou até a Lua usando um gigantesco canhão. Na França, Georges Melies foi um dos pioneiros do cinema, e em seu filme "Le voyage dans la Lune" (1902) acabou criando um dos primeiros filmes de ficção científica em que descrevia uma incrível viagem à Lua. Em obras como "The War of the Worlds" (1898) e "The First Men On The Moon" (1901), H. G. Wells também concebe idéias de exploração do espaço e de contato com civilizações extraterrestres.

Muito ainda faltava para que o homem pudesse alcançar o espaço exterior, mas este sonho tornou-se realidade, em parte, através das idéias destes visionários e do trabalho de pioneiros. Entre estes pioneiros devemos lembrar os engenheiros de foguetes Robert Hutchings Goddard(EUA), Konstantin Tsiolkovsky (Rússia), Hermann Oberth (Alemanha), e mais recentemente Wernher von Braun (Alemanha) e Sergei Korolev (Ucrânia).



Observações primitivas do céu[]

Os astros sempre foram motivo de observação e estudo para o homem. Astecas, chineses, indianos e outras civilizações como a Mesopotâmia, e povos como os gregos e os árabes registraram ao longo da história diversos eventos celestes, como eclipses solares e lunares e efetuaram medidas dos astros e de suas órbitas principalmente com o objetivo de manter calendários precisos.

Os dois maiores astrônomos da antiguidade foram Hiparco e Ptolomeu.

Estas primeiras observações astronômicas eram feitas totalmente a olho nu e, portanto, limitadas. A invenção do telescópio deu maior impulso à observação do céu.



Início da Astronomia moderna[]

O telescópio tem uma origem controversa, sendo sua invenção geralmente atribuída a Hans Lippershey, um fabricante de lentes neerlandês, em 1608. Em 1609, o astrônomo italiano Galileo Galilei apresentou um dos primeiros telescópios registrados pela história (uma "luneta") e dele obteve diversas observações astronômicas que o levaram a confirmar o sistema heliocêntrico de Copérnico.

As observações de Galileu incluíram a descoberta das manchas solares, do relevo lunar e dos satélites de Júpiter, entre outras importantes descobertas.



Acidentes e tragédias[]

Mesmo com toda a tecnologia e controle de qualidade, em um ambiente tão hostil como o espaço, e envolvendo máquinas tão complexas, é de se esperar que ocorram erros.

Muitos acidentes ficaram para a história da exploração espacial. Alguns deles provocaram baixas entre os astronautas e cosmonautas.

Em 24 de outubro de 1960 uma explosão na plataforma de lançamento matou dezenas de cientistas e técnicos da URSS.

No dia 23 de março de 1961 (poucos dias antes do voo pioneiro de Gagarin ao espaço) irrompe um incêndio no interior de uma cápsula Vostok. O cosmonauta que realizava treinamento a bordo da nave, Valentin Bondarenko, não tem tempo de escapar e sofre queimaduras graves, vindo a falecer num hospital poucas horas depois. Isso somente viria a ser admitido oficialmente pela URSS em 1985.

Muitos anos depois, os astronautas Virgil "Gus" Ivan Grissom, Edward Higgins White II e Roger Bruce Chaffee, do Projeto Apollo, morreram no solo em um incêndio dentro da cabine de comando, no que ficou conhecido como "Apollo 1".

Em 1966 a nave Gemini VIII ficou desgovernada no espaço, mas os astronautas conseguiram consertar

a nave e regressar a Terra.

Em abril de 1967, o cosmonauta Vladimir Komarov teve uma variedade de problemas técnicos com a nave Soyuz 1, e acabou morrendo no pouso, no acidente que atrasou o programa espacial soviético em 18 meses.

Em 21 de fevereiro de 1969 um foguete do programa lunar soviético caiu, logo após o lançamento, sobre uma cidade matando 350 pessoas.



Em 1970, devido a um acidente grave, ocasionado por uma faísca de um curto circuito nos tanques ao serem agitados os gases criogênicos, procedimento padrão da Missão, a Apollo 13 ficou seriamente avariada em seu caminho em direção à Lua. Isto impossibilitou seu pouso na Lua e resultou em um retorno tenso e espetacular à Terra, com um mínimo de oxigênio remanescente, no mais conhecido acidente espacial da história. O episódio terminou, contudo, de forma satisfatória para os seus tripulantes.

A frase que marcou o evento foi: OK, Houston, we have a problem here. ("Houston, nós temos um problema

Apollo 13

Visão dos danos no Módulo de Serviço da Apollo 13, fotografado pela escotilha do Módulo de Comando após a separação

aqui").

Em 30 de junho de 1971 a despressurização da nave Soyuz matou os cosmonautas Georgy Dobrovolsky, Vladislav Volkov e Viktor Patsayev, que haviam cumprido uma missão de 24 dias em órbita.

Em 28 de janeiro de 1986 um defeito no anel de borracha que vedava os foguetes à combustível sólido causou a explosão do Ônibus Espacial Challenger, matando todos seus ocupantes, inclusive a professora Christa MacAulife, a primeira civil a participar de um vôo espacial.

Mais recentemente, em 2003, o Ônibus Espacial Columbia explodiu nos procedimentos finais de pouso, matando todos os seus tripulantes.

Em 22 de agosto de 2003, uma explosão destruiu o Veículo Lançador de Satélite (VLS-1), na base brasileira de Alcântara, no Estado do Maranhão. A causa do acidente de Alcântara, segundo o major brigadeiro Tiago Ribeiro, diretor do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos, São Paulo, foi a ignição espontânea de um dos quatro motores do VLS-1. A explosão destruiu os equipamentos e matou 21 pessoas da equipe Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).



Sondas espaciais[]

Se a presença de humanos na Lua é um feito tecnológico grandioso, a maioria das descobertas científicas mais interessantes têm sido feitas por sondas teleguiadas não tripuladas.

A primeira sonda espacial foi a soviética Lunik II, que pousou na Lua em 1959. Depois disto seguiram-se diversas sondas da URSS e dos EUA, enviadas para a Lua e diversos planetas.

Em janeiro de 1963, a sonda Ranger 3 dos EUA, de 327 kg, falhou em pousar na Lua e entrou em órbita solar. Em abril de 1962, a Ranger 4, de 328 kg, tornou-se a primeira sondanorte-americano a atingir a Lua. A Ranger 4 não pousou exatamente, mas ocorreu um impacto com a superfície lunar. O mesmo aconteceu com a Ranger 6, em janeiro de 1964.

Entre 1966 e 1968, os EUA enviaram 7 sondas Surveyor para a Lua. Partes da Surveyor 3 foram coletadas para estudo pela missão Apollo 12 em novembro de 1969.

Atlas centauro

Foguete Atlas-Centauro lança o Surveyor 1 em 30 de maio de 1966

A primeira sonda interplanetária foi a Mariner 2 (EUA), que pousou em Vênus em 1962. Ela foi seguida pela Venera 7 da URSS, que chegou em Vênus em 1970.

Em 1968 as missões Zond 5 e Zond 6 da URSS foram bem sucedidas em circum-navegar a Lua.

Em 1970 a URSS foi bem sucedida em enviar a Lua o veículo por controle remoto (rover) Lunokhod 1, a bordo da nave Lunik 17. A URSS coletou muitas pedras lunares através de suas sondas Lunik.

Em 1971 a Mariner 9 enviou muitas fotos da superfície de Marte. No mesmo ano a sonda Marte 2 da URSS também chegou a Marte.

A Mariner 10 sobrevoou Mercúrio em 1974.

Os EUA também enviaram sondas de longa distância e com missões longas, como por exemplo as Pioneer 10 e 11 que pesquisaram Júpiter em 1973 e 1974, e em 1979 enviaram fotos de Saturno.

A Pioneer 10 foi o primeiro artefato humano a abandonar o sistema solar. Lançada em 3 de março de 1972, sobrevoou Júpiter a aproximadamente 131 000 km em 3 de dezembro de 1973. Depois, em 3 de dezembro de 1974, a Pioneer 11 também sobrevoou Júpiter a 46 000 km, seguindo rota depois para Saturno.

Também devemos lembrar as Voyager 1 e 2 que pesquisaram os planetas externos do sistema solar e abandonaram o sistema solar partindo para uma viagem sem volta em direção das estrelas. A Voyager 2, lançada em 20 de agosto de 1977 passou a 286 000 km de Júpiter e a 101 000 km de Saturno. Em 24 de janeiro de 1986 ela passou a 82 000 km de Urano, e em 25 de agosto de 1989 passou a menos de 3000 km de Netuno, o planeta mais distante da Terra a ser visitado por uma sonda espacial, é esperado que ela fique totalmente sem energia em 2025.

Em 1976 as Viking (EUA) pousaram em Marte e coletaram muitos dados do planeta, assim como enviaram muitas fotografias de seu relevo.

Mais avançada, a Pathfinder dos EUA pousou no solo de Marte em 1997, com um veículo robótico (rover) capaz de movimentar-se na superfície marciana e enviar fotos detalhadas de seu terreno.

A sonda Deep Space 1 foi lançada em 24 de outubro de 1998, testando diversas novas tecnologias espaciais. Sua missão foi bem sucedida em se encontrar com o cometa Borrelly e enviar as melhores fotos de um cometa jamais obtidas. A nave deixou de funcionar em dezembro de 2001.

Mais ambiciosa que a missão da Deep Space 1, a Stardust foi projetada para coletar material de um cometa e

Cometa wild2

Foto tirada pela Stardust do cometa Wild 2

retornar à Terra para estudos. A nave foi lançada ao espaço em 7 de fevereiro de 1999 e alcançou o cometa Wild 2 em janeiro de 2004. A nave retornou com o material coletado do cometa em 15 de janeiro de 2006.

Genesis foi uma missão para coletar íons no espaço exterior, no período de 30 de novembro de 2001 até1 de abril de 2004, numa região entre o Sol e a Terra chamada "ponto L1", e retorná-los para estudos. A missão retornou com o material em uma cápsula em 8 de setembro de 2004. Embora tenha ocorrido um problema técnico com o pára-quedas e a nave tenha se danificado na queda, o material foi recolhido em bom estado e poderá ser estudado.

Sonda cassini

conspeção artística da sonda cassini fotografando os aneis de saturno

Ainda são dignas de menção a sonda Galileu, que descobriu vulcões em Júpiter, e a sonda Cassini, lançada em 1997, que pesquisa Saturno.

No Natal de 2004 a Sonda européia Huygens desprendeu-se de sua nave-mãe, a norte-americano Cassini, e iniciou sua viagem para pousar em Titã, lua de Saturno, tendo pousado em Titã com sucesso em 14 de janeiro de 2005, no primeiro pouso de nave espacial em outro satélite natural que não a nossa Lua. Uma das descobertas científicas desta sonda mostraram que em Titã "chove" metano, provocando fluxos líquidos. Isto ocorre porque a temperatura de Titã é de 180ºC negativos.

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